João Carlos's profileNA IMENSIDÃO AZULPhotosBlogListsMore ![]() | Help |
NA IMENSIDÃO AZULAlgum lugar além... |
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Natureza SelvagemIntensas emoções, monótonas belezas... Complexos universos, paisagens imutáveis... Contemplativo campo onde as batalhas nunca terminam; não há vencidos ou vencedores, não há heróis nem coadjuvantes... Uma garça é qualquer garça... milhares de árvores se confundem em nossa percepção limitada da realidade... tudo igualmente verde; tudo igualmente difuso... Aqueles patos mandarins teriam sido sempre os mesmos durante toda a viagem? Não importa? A água que flui incessantemente no mesmo lugar seria a mesma água todos os dias, todas as horas, o tempo todo? Aquela que chega à foz, de onde veio, afinal? Em nossos mundos individuais tudo tem nome, endereço, origem... e nos diferenciamos pelo olhar, pela voz, pelo movimento, pelas palavras... até mesmo pelas roupas! Seríamos, deveras, diferentes? Mudamos constantemente durante a vida, e aquele que nasceu, no momento seguinte já não mais existe... Quando partir não serei eu mesmo e, no entanto, aqui não deixarei meus rastros. E nada levarei, senão as recordações, as imagens registradas na memória... ou nas máquinas digitais... talvez algum pensamento ou emoção escape de mim e corra para a selva, sem que eu possa perceber. E passe, então, a viver como os outros animais... Sentirão eles as minhas emoções? Talvez alguém, daqui a muitos anos, ao passar por aqui, encontre os meus pensamentos, mas eles também não serão os mesmos, pois se tornaram bichos, embrenharam-se nas matas, circularam pelas mentes de outros seres e também se transformaram... Fará algum sentido, então, esse antigo pensamento? Talvez não... pode ser até que não haja, sequer os animais... as árvores terão caído ou sido derrubadas... talvez o rio esteja seco... casas, pessoas, concreto, asfalto, poluição talvez estejam aqui, em seu lugar... E aquele pensamento, aqueles sentimentos anacrônicos se perderão para sempre, assim como minhas recordações e as lembranças que porventura tenham de mim... e eu terei sido levado pelo tempo, pelo vento... assim como meus pensamentos... E minhas palavras se perderão no deserto que ficou por aqui. Infinita e monótona beleza, é por isso que não resistirás! Não há utilidade na Beleza! Beleza não se produz... Beleza não se consome... ela apenas está aí, enquanto a querem. Não vale a pena lutar por preservar a Beleza... Por isso, quando te vi, quando contemplei tua vastidão infinita, quedei-me a teus pés e só fiz chorar... haverá, um dia, um mundo sem luz, sem cor, sem pássaros e seu cantar, sem as águas cristalinas de uma cascata, jorrando, sem cessar, o seu frescor e pureza... Nesse mundo eu não quero estar... A Hipocrisia da Preservação Ambiental
O Greenpeace só sabe fazer listinhas de abaixo-assinados contra as devastações da Amazônia e contra os transgênicos, como se isso fosse fundamental! Ou então pendurando faixas na Golden Gate ou no Elevador Lacerda! E a Rede Globo criou um site para que os ingênuos constatem que existem alguns milhares de focos de incêndio na Amazônia, como se isso fosse reverter o processo de desmatamento! Enquanto isso, Blairo Maggi, nas altitudes de seu poder governamental, e com o apoio de seus omparsas (leia-se UDR e Ronaldo Caiado!), continua devastando as florestas e os cerrados, transformando tudo em uma imensa plantação de soja transgênica! Programas como Globo Ecologia, Terra da Gente e correlatos mostram as belezas que se acabam e que nossos filhos e netos somente irão conhecer pelos documentários da National Geographic... A água doce aos poucos se torna salobra ou contaminada, reservando aos nossos descendentes um mundo de fome e sem cores... nossos aquíferos não serão suficientes para mitigar a sede dos que virão; o ar será tão contaminado que precisaremos usar máscaras para respirar; a população continuará a crescer, gerando novas rebeliões e legando o ódio e o desespero aos que herdarão o mundo deixado por nós... Enquanto isso, continuamos nossa vida de consumismo desenfreado, indiferentes aos alertas que não apenas a Natureza nos encaminha, mas também esse Capitalismo podre que fala pelo idioma das Bolsas de Valores e dos Analistas Econômicos que se divertem digladiando seu conhecimento inútil e supérfluo... tanto faz se a culpa é dos bancos ou dos especuladores; o resultado é o mesmo: alguém irá lucrar muito com isso, enquanto toda a Humanidade sofre pelo desespero da fome! Com toda a certeza, já se esqueceram de Bangladesh e de Ruanda... A tragédia maior ainda está por vir: depois de devastada, a Floresta Amazônica se transformará em um imenso deserto! Nossos rios serão esgotos ao ar livre! Nossas cidades litorâneas serão submersas pelo aquecimento global e pelo derretimento dos Glaciares e do gelo Ártico e Antártico... não há retorno para essa destruição! O resultado será, inevitavelmente, a Morte, as lutas fratricidas, o ódio e a devastação! E o mundo se acabará? Certamente NÃO! Ainda viveremos para "admirar nossa obra-prima": um mundo parecido com a ficção... desertos, fome, desgraça... E os privilegiados da Elite, como ficarão? A História responde a essa indagação: basta ver o desaparecimento das grandes civilizações do passado; os Maias, os Aztecas, os Incas, os Egipcios, os Romanos, os Persas... os primeiros a serem executados serão os poderosos! Afinal, eles decidiram, pela sua "liderança" ou pelo poder imposto, o destino de cada um de nossos descendentes... Continuemos a fingir que essa desgraça não nos atingirá! Vamos manter nossos hábitos de desperdício e de abuso, imaginando, como o fizeram os antigos, que alguma força superior reverterá a situação e nos trará de volta o Welfare State dos economistas do iníco do século XX! Afinal, serão os nossos filhos e netos que herdarão a Terra, não nós... Dogma e IgnorânciaNa época da ditadura militar, o Arcebispo de Olinda e Recife era Dom Hélder Câmara, que eu tive o privilégio e a honra de conhecer. Dom Hélder foi um homem corajoso, que defendeu os mais fracos e oprimidos, perseguidos pela violência militar, como deveria se esperar de quem professa a doutrina cristã… Ele nunca se omitiu, nem mesmo quando ameaçado pelos fuzis do autoritarismo, que tantas vítimas deixaram em nossas lembranças. Mas, infelizmente, não é de tão admirável figura que eu tenho de falar, e sim de seu sucessor, cujo nome nem me preocupo em mencionar… e de um fato lamentável, que me leva a escrever: uma criança de 9 anos, violentada pelo padrasto, grávida de gêmeos, com sua frágil vida em alto risco! O que um pequenino corpo, ainda nem preparado para a gestação, suportaria se essa gravidez covardemente imposta fosse levada adiante? Pois, com responsabilidade e coragem, os médicos interromperam essa gestação e, pasmem, o dito arcebispo excomungou médicos, famiiares e a própria vítima, e ainda afirmou que o aborto seria um “pecado” mais grave do que o estupro!!! Como assim??? Quem, qual filósofo poderia defender tese tão absurda? É impossível conceber qualquer argumento que suporte essa teoria, cujo único fundamento se sustenta nos dogmas estabelecidos pela igreja católica. Nenhuma religião pode se intrometer dessa forma na vida dos seres humanos! Quem lhes concedeu tal poder? Que deus poderia justificar tamanha ignomínia? Estamos no século XXI, o emblemático ano 2.000 foi superado sem que o mundo se acabasse, mas a ignorância eclesiástica prevalece nas doutrinas medievais da igreja! Até mesmo pela atrocidade do ato, o arcebispo deveria ter se calado: pois essa criança foi vítima da monstruosidade de seu padrasto, assim como sua irmã, durante pelo menos três anos! Ou seja, desde os seis anos de idade essa criança foi violentada por esse monstro! E ninguém a defendeu nem denunciou o facínora! Deveríamos, sim, ter pena de morte ou punição mais cruel para crimes hediondos como o que ocorreu! Um monstro como este nunca poderia ser colocado em convívio com outros seres humanos, se é que se pode admitir que essa aberração seja um “ser humano”! Mas não, ele ainda será julgado, e poderá ser considerado inimputável e levado para uma prisão especial, e ainda voltar à liberdade em poucos anos… e quem resgatará a inocência dessa criança? O Arcebispo de Olinda e Recife? Dom Hélder Câmara, os homens de bem, dignos, honestos, decentes, que acreditam na vida e na justiça, lhe pedem perdão!… Seriam esses, pecados menores do que o aborto e o estupro??? Razões do ExistirQuando nos deparamos com um mistério, um obstáculo intransponível à nossa lógica e entendimento, nossa insaciável necessidade pela compreensão nos compele a recorrer às divindades e ao sobrenatural, justificando o lapso de conhecimento que nos constrange e sufoca. Mesmo diante da grandiosidade do Universo, da beleza incomensurável da Natureza e dos sentimentos altruístas que nos acometem eventualmente, buscamos no esotérico, no místico, no religioso, no eterno, a explicação das razões do existir. No entanto, nossa pequenez não nos permite constatar a contradição que nos acomete e nos cega: ao mesmo tempo em que nos surpreendemos e nos extasiamos com a percepção sensorial do Belo, através de nossos olhos, ouvidos e pele, com nossas mãos, ferramentas e invenções o destruímos, contaminamos com nossos dejetos, corrompemos com nossos atos, condenamos com nossas omissões e covardias... A existência de cada indivíduo, que mal ultrapassa um século, nos impõe os limites do tempo e do espaço... infinito é incompreensível! A existência do homo sapiens, que não chega a 10.000 séculos, nos credita a convicção de nossa superioridade diante da Vida... A existência do Universo, a partir do Big Bang, que supomos não ultrapassar os 40 milhões de séculos, nos leva à indagação: mas, e antes disso, o que existiria? E a resposta confortável está na Bíblia: "no Princípio era o Verbo, e o Verbo era Deus!"... e por uma palavra de Deus, o Universo se formou, e o dia se separou da noite, e a terra se separou das águas, e os seres vivos se separaram da matéria... E tudo se resolve em nossas mentes... e, ainda que o Ser Humano venha a desaparecer da face da Terra, seja por uma fatalidade dos transtornos climáticos, seja por sua ação maléfica e daninha sobre a Natureza e sobre si mesmo, ainda assim, em outros planetas, haverá Vida, que se perpetuará pela transformação e evolução natural, gerando ou não seres conscientes de si mesmos, sendo bela por si mesma, ainda que não percebida por ninguém, ainda que não tocada, não vista, não declamada em versos... E, no entanto, na pequenez de nós mesmos, estaremos a acreditar que a Beleza existe apenas porque nossos sentidos a tornam assim... e que o Universo foi criado apenas para que nós, reles seres humanos, vermes cósmicos imperceptíveis, consumíssemos seus recursos, impunemente, ao nosso bel-prazer! E que, por isso, somos eternos! Minha missão, consciente de minha insignificância no concerto do Universo, será a de tão-somente declarar minha gratidão por existir, de dedicar a vida que me resta a lutar pela preservação da Natureza, por ser capaz de perceber tanta beleza e poder compartilhar, em palavras e atos, meus sentimentos com vocês... Tempo demais!Busco os limites de meus infortúnios Nos atos, nos pensamentos, nas palavras... Na solidão que me cala e consente, Na angústia de não ser presente...
Procuro, na vida que me resta, Um motivo, uma razão, uma vontade Que seja, para perseverar e crer... Para prosseguir, mesmo contra a razão.
Porém, minhas mazelas são pequenas, Meus limites são restritos, fracos... Meus propósitos, mesquinhos, Ao menos aos olhos da realidade...
E o caminho que percebo é enorme! Tempo demais para percorrer, Antes que o desejo se acabe, Antes que o fim se alcance... Decisão do Olimpo! Agora é decisão do Supremo: qualquer cidadão só poderá ser preso depois da sentença ter transitado em julgado, ou seja, quando não couber mais apelação! Do jeito que os processos (não) caminham neste país, ninguém mais será preso daqui para a frente... no entanto, a população ficará à mercê dos bandidos, engravatados ou não! É fato que a Constituição Federal já determinava que fosse dessa maneira, e aos juízes Supremos só restava referendar essa decisão. Quando a Constituinte de 1988 decidiu pelos direitos humanos extremos, tínhamos sobre nossas cabeças o trauma da Ditadura Militar que, durante anos torturou e matou inocentes e presos políticos, que a própria Convenção de Genebra nunca conseguiu proteger! Mas hoje, passados os anos de terror do Estado de Exceção, cabe ao Congresso e ao Supremo rever os entraves que paralisam os três poderes e, em especial, colocam em um mesmo plano os cidadãos honestos, os políticos corruptos, os empresários safados e os bandidos de toda espécie... As decisões do Olimpo precisam considerar que nossa pátria não é apenas uma Nação de homens puros, dignos e bem-intencionados... infelizmente, uma parcela expressiva de nossa sociedade vive em função do crime, das trapaças, dos negócios escusos... e apenas uma pequena minoria é honesta o tempo todo! Lamentável? Não, apenas a constatação da nossa triste realidade... Tantas palavras…… e, no entanto, tão poucos e raros pensamentos que nos enriqueçam… Em nenhum outro momento da existência humana se falou tanto, se escreveu tanto, se comunicou tanto… tantas palavras para tão pouco significado e expressão! De que servem tamanhos recursos tecnológicos, tal disponibilidade de conversas, interações, amizades virtuais, se a humanidade tem tão pouco para dizer… … algo que, realmente valha a pena, que nos sensibilize, que se inove e se crie… Não! Apenas palavras vazias, repetidas aos milhares, lugares-comuns, chavões, versos roubados de poetas anônimos… não porque tenham, de fato, algum valor, mas porque ninguém se sente capaz de imaginar algo novo e relevante para o mundo… Uma era de vazios… um imenso buraco negro na inteligência humana! Tantas palavras… tão pouco significado… Oração do Velho Chico
Senhor, fazei-me instrumento de vossa generosidade! Onde houver Seca, que eu espalhe Águas da Fertilidade! Onde houver Miséria, que eu distribua a Fartura das Colheitas! Onde houver Sertão, que eu me torne o Mar da Vida! Onde houver Trevas, que eu conceda Energia e Luz! Onde houver Isolamento, que eu mostre Caminhos da Integração! Onde houver Fome, que eu abasteça de Água as Plantações! Onde houver Discórdia, que eu seja Reencontro e Harmonia! Que meus braços se estendam e se multipliquem pela transposição de meus domínios, levando ao Sertão e ao Agreste a transpiração de minhas águas férteis, para que... ...Onde houver Desespero, que eu seja a Esperança! Leia mais sobre minha expedição pelo rio São Francisco em Meu Velho Chico A Solidão de cada um"Oh! Bendito o que semeia O Poeta não imaginava que o mundo seria inundado de livros, revistas, blogs, msn´s, orkut´s… e nessa imensidão de palavras continuaríamos ignorantes e vazios… sim, pois que a verborragia do mundo também é um mal incurável… não se pensa naquilo que se escreve! Just Copy & Paste! E por detrás dessa convivência frenética dos chats, dos podcasts, dos universos virtuais, a solidão de cada um se exacerbou, “fechando-se em conchas” quem pensa ter amigos sinceros… tudo “ilusão passageira”, enorme engano que nos submete ao isolamento total, absoluto, em meio a tanta tecnologia digital, instantânea e sem conteúdo que valha alguma coisa… As cidades, os grandes aglomerados urbanos são os nossos claustros, nossa prisão involuntária e inconsciente! E, na ânsia por fugir da solidão, o ser humano fala demais, escreve demais, pensa de menos… somos ilhas no infinito urbano de cada um… indivíduos, e não coletividade! As pessoas “se amam” como nunca, em tempo algum, se amaram! Porém, é um sentimento efêmero, que dura o instante de “se conhecerem”, se beijarem, se entrelaçarem num abraço erótico… e pronto! aí terminou o relacionamento! Nada mais há a se conhecer… Discutir o relacionamento? Para que? É mais fácil arranjar um novo companheiro a tentar compreender as razões “do outro”… não existe vida conjugal… só o EGO, imenso ego! Na internet, o site “O Pensador” (que ironia!) exibe milhares de frases que podem ser usadas no seu dia-a-dia, para impressionar um amigo, para criar um PPT, para disseminar uma idéia de quem nunca as teve, por uma rede de pessoas que se deslumbrarão com a inteligência do brilhante colega! Lá no site estão, em um mesmo patamar intelectual, Nietsche, Bob Marley, Fernando Pessoa e o Marquês de Maricá! A Logosofia é uma chamada para os incautos que buscam sentido em sua medíocre existência! Nas biografias, Adriana Falcão (quem será essa?), Arquimedes, Dalai Lama e Millôr! Barbaridade! Frases de todo o tipo, que podem ser ilustradas com GIF´s animados, coloridos e... bregas! E nenhum pensamento novo! Nenhuma idéia própria! Pobres filósofos de nossos dias... Mentiras da burguesiaA reação das elites aos movimentos raciais, às minorias sociais e às ações de preservacioistas evidencia o preconceito e a cólera pela perda de seus privilégios, quase sempre adquiridos pelos confiscos sociais havidos no decorrer de nossa história burguesa. Já na distribuição das terras do Novo Mundo prevaleceu a “generosidade” da coroa portuguesa à nobreza vadia, através da entrega de sesmarias e datas, doações para quem nunca trabalhou e nunca soube o valor do esforço humano. Depois, com a escravidão, a coisa se complicou de vez! Vejam o que diz o jurista Ives Gandra da Silva Martins *:
Esse argumento vem sendo usada como justificativa por todos os que defendem aqueles que desmatam a Amazônia e outros paraísos naturais, com apoio da bancada ruralista e do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, um dos maiores latifundiários e produtor de soja em territórios desmatados e incendiados pelo país! É uma falácia! Um argumento que não se sustenta! Os índios, assim como os animais selvagens, fazem coleta e caça na floresta, sem danificar a Natureza, e eles precisam de muito mais espaço para sobreviver do que a dita "civilização branca", que além de amontoar as pessoas nas cidades, faz um uso do solo de forma predatória e, na maioria das vezes, irreversível para a preservação ambiental. Os índios são os nossos defensores da Natureza! Quanto às comunidades quilombolas, eu tenho certeza que o Ives Gandra nunca esteve numa delas! Eles vivem miseravelmente, na maioria das vezes, e como os índios, precisam de proteção. Muitas dessas comunidades estão inseridas em áreas de proteção ambiental, e trabalham com agricultura familiar, de sobrevivência, artesanato e outras atividades mal remuneradas. Já as cotas das universidades, isso precisaria ser mais bem regulamentado, pois existem abusos... basta o sujeito ter a pele “lá pelas cinco da tarde” e já se acha um afrodescendente! Aliás, que palavrinha mais preconceituosa essa, “afrodescendente”! Por que não dizer simplesmente NEGRO? Sim, pois ser negro não é vergonha e dizer “Negro”, desde que com respeito, não é preconceito! É apenas uma questão da quantidade de melanina na pele… Com relação aos países latino-americanos que fazem fronteira conosco, principalmente o Paraguai e a Bolívia, nós somos para eles o que os EUA são para nós: imperialistas! Colonialistas! Basta lembrar o genocídio que praticamos durante a guerra do Paraguai, e que dizimou praticamente toda a população masculina adulta e não descendente dos índios de lá. É por isso que eles são tão parecidos com os índios hoje em dia… desapareceram as características dos europeus… Se nós pregamos a nossa independência e autonomia com relação ao primeiro mundo, particularmente EUA e Europa, precisamos ser, pelo menos, coerentes, e agir de forma diferente de nossos "colonizadores e exploadores"! Ser mais solidários e menos mesquinhos! Esses juízes que vivem no luxo e na riqueza, com salários milionários recebidos às custas dos trabalhadores comuns e da prática da extorsão do Imposto de Renda sobre os assalariados, deveriam se envergonhar de sua aristocracia e se calar, em vez de falar asneiras como essas! E matar índio queimado, em Brasília? Isso pode, para um filho de um juiz? As contradições de um povoQuase me compadeci dos sofrimentos dos judeus na Terra Santa de Israel quando as guerras (também) santas dos seus vizinhos árabes apregoavam o extermínio desse povo! Afinal, o Holocausto foi uma das piores tragédias da História contemporânea e talvez uma das maiores chacinas de toda a Humanidade ao longo de sua existência de ódio e guerra… No entanto, o Tempo nos faz refletir melhor e julgar com mais parcimônia as razões de cada parte nos conflitos intermináveis do Oriente Médio. Quando, em 1948, a ONU decidiu-se pela criação do Estado de Israel, optou também por desprezar a existência dos Palestinos, quase da mesma origem étnica dos judeus, e também espalhados mundo afora. Sempre que uma decisão injusta é tomada, um conflito se eterniza entre os povos, acirrando as disputas, incentivando o ódio, alimentando a discórdia e o desentendimento. E agora, sessenta anos depois, aquela região continua imersa nos mesmos conflitos, matando-se por razões inaceitáveis por qualquer padrão humano que se adote, simplesmente porque as novas gerações não sabem viver em paz, não conhecem outra realidade senão esse conflito absurdo e sem nexo. Agora, diante dos olhares perplexos do mundo, a violência de Israel se manifesta covardemente pela ocupação de Gaza, matando civis, mulheres e crianças indefesas, em nome de sua própria segurança. Mas não se resolve a questão dessa maneira; mesmo que todos os combatentes do Hammas fossem dizimados pela brutal superioridade militar de Israel, seus filhos continuarão a mesma luta, em um círculo vicioso de vinganças eternas e de posições irreconciliáveis! Até quando? De que serve o Conselho de Segurança da ONU se o principal aliado de Israel ninguém mais é do que o maior de todos os vilões contemporâneos, a nação que se diz arauto e defensor da Democracia e, no entanto, mantém seus soldados em terra estrangeira, matando inocentes, desenvolvendo e experimentando suas poderosas armas de destruição? Expedição pelo rio São FranciscoQuando terminamos a expedição FEAL na Chapada Diamantina, eu já sabia que algo tinha se transformado, definitivamente, em meu ser. Minhas convicções já não eram as mesmas, minhas expectativas se ampliaram, meu universo se tornou mais amplo. Isso não se deveu apenas aos desafios que enfrentamos, mas, principalmente, ao meu contágio com algo que pensei já se tivesse dissipado dentro de mim. Foi então que decidi fazer uma experiência mais radical, definitiva, exploratória e comprometida com meu mundo exterior: e escolhi o rio São Francisco, o mais representativo de nosso país, pelas suas características de integração, por ter sido o primeiro grande rio nacional a ser descoberto e exlporado, pelas suas lendas e tradições... Para divulgar, documentar e elaborar o planejamento da expedição, criei um blog, que agora compartilho com vocês: Meu Velho Chico. Não deixem de visitar e dar seus palpites! Preciso de sugestões, de novas idéias... Expedição Chapada Diamantina – FEAL OBB 2008Quando decidi fazer essa expedição não imaginava sua verdadeira dimensão e o esforço exigido: foram 4.000 km percorridos de carro em quatro dias, ida e volta, mais de 50 horas dirigindo até o nosso destino, cerca de 120 km de caminhadas, 40 km de canoagem, muito calor, incêndios por todo o Parque, muito cansaço, novas descobertas, amizades novas... um verdadeiro reencontro com meu ser primordial e mais um recomeço em minha vida de aventureiro. Saí de Ribeirão Preto no dia 3 de novembro e segui diretamente para São Paulo, onde se juntaria a mim o Paulo Eduardo, no dia 4, para seguirmos nossa viagem rumo à Bahia, Chapada Diamantina, nosso destino final. Chegamos a Mucugê no dia 5, já no início da noite, e lá pernoitamos, depois de visitar e fotografar o cemitério Bizantino (Santa Izabel), com suas pequenas edificações caiadas em branco, sob um grande bloco de rocha de uns 70 metros de altura. Passamos por Igatu no dia seguinte, onde encontramos uma área de garimpo de diamantes perfurada na rocha, quase um túnel, onde se formara um lago. Estava deserto e invadi o local com um certo receio de ser descoberto pelos seus "proprietários", uma vez que havia uma placa nos informando que se tratava de uma propriedade privada (dentro da área do Parque Nacional!). Seguimos viagem até Andaraí, onde almoçamos, antes de nos instalar na Pousada Sincorá, de onde partiria a expedição na segunda-feira, dia 10 de novembro. Nosso propósito era escalar algumas rochas nos dois dias que precediam o início do treinamento. Porém, fazia um calor escaldante, havia muitos focos de incêndio por toda a Chapada, e precisávamos estar inteiros para as longas caminhadas que se seguiriam. Mudamos nossos planos e resolvemos descer a Ladeira do Império e caminhar em direção ao Vale do Pati no tempo que nos restava. Fizemos isso na sexta-feira, pela manhã. Já recuperados da longa viagem da véspera, saímos cedo em direção ao Pati. A descida foi cansativa, mas chegamos até a base da montanha, pela trilha, e acampamos à beira do rio, onde nos banhamos e comemos alguma coisa antes do anoitecer. Pela manhã continuamos nosso trajeto e ultrapassamos a ponte que, praticamente, delimita o Pati.. Algumas horas depois constatamos que não teríamos tempo suficiente para chegar ao Pati e retornar a Andaraí antes do início da expedição. Retornamos daquele ponto. Subir a ladeira foi um esforço superior às nossas condições físicas. Chegamos no cume ao anoitecer, exaustos e sem água; bebíamos mais de 4 litros por dia e não havia fontes limpas para reabastecer nossos cantis a partir do início da subida. Resolvemos pernoitar por lá e finalizar a trilha no dia seguinte. Chegamos a Andaraí no dia 8, sedentos e estafados, e nos retiramos para nossos quartos. Precisávamos estar em perfeitas condições físicas até o final da semana. Dormi umas 12 horas seguidas; meus pés queimavam, minha cabeça doía, meu corpo todo sofria com aquela caminhada sem planejamento! Dia 10 pela manhã já tinham chegado todos os participantes da expedição; os instrutores seriam a Mita (Mariana Candeias), uma jovem psicóloga e exímia escaladora da Paraíba, e o Tonhão (Antônio Calvo), um jovem canoísta, com treinamento no Canadá e muitas outras competências e habilidades que descobriríamos ao longo de nossa jornada. De imediato, uma revisão de todas as coisas que havíamos colocado em nossas mochilas reduziu as vestimentas a pouquíssimas roupas, nenhum equipamento pessoal e nada supérfluo. Aprenderíamos a viver com simplicidade, como o exigiam os ambientes remotos, nosso destino. Deixei para trás várias camisetas, meias, bermudas, calças, um "talk about", "baby wypes", tudo o que antes me parecia completamente imprescindível para essa expedição. Os alimentos e equipamentos comunitários foram distribuídos por todo o grupo: fogareiros, panelas, benzina, temperos... a mochila ficou mais pesada, mas era tudo o que precisávamos para nossas necessidades nos próximos 15 dias longe da civilização. Partimos por volta do meio-dia em direção a Igatu. Os riachos estavam completamente secos e exibiam suas entranhas, cercados por uma vegetação ressecada e propícia para alimentar um incêndio. Estes se alastravam por todo o parque, destruindo as encostas das montanhas, lambendo as matas ciliares dos rios ressequidos, deixando atrás de si uma destruição sem precedentes... durante todo o dia ouvíamos as pás das hélices dos helicópteros sobre nossas cabeças, anunciando o drama vivido pela população local. Acampamos em Igatu e saímos no dia seguinte após nosso primeiro café da manhã ao ar livre. A partir daí esta seria nossa rotina diária: tomar café, levantar acampamento, caminhar durante horas, parando somente para procurar e repor as águas dos cantis e "camelbacks", procurar um bom local para acampamento, prepara o jantar, lavar as louças e dormir. Nas paradas tínhamos atividades de dinâmica de grupo, "feed-back" de nossa atuação e "debrieffing" das atividades. À noite, antes de nos recolhermos às barracas, uma pequena preleção sobre os objetivos individuais e coletivos da expedição, a missão, os valores e princípios da OBB (Outward Bound Brasil), e qualquer outro assunto que alguém do grupo quisesse trazer a todos para discussão. Em pouco tempo os participantes se integraram e passaram a se comportar conforme as expectativas mais otimistas de nossos instrutores. Surpreendentemente, não havia conflitos a administrar, as lideranças se formavam e se desfaziam, dando oportunidade a todos de demonstrar suas habilidades na condução da trilha, sem vaidades pesoais, sem exibicionismos, sem intenção de fazer prevalecer suas opiniões sobre a dos demais. Seguimos em direção ao Pati e chegamos a um lugar bem degradado, conhecido como Cascalheira, onde alguns brigadistas se reuniam à noite para organizar os grupos de combate aos incêndios. Apesar das barracas que encontramos no acampamento, eles não estavam lá. Saímos pela manhã, orientados por bússolas e mapas da redondeza, conferindo com a localização dada pelo meu GPS. Passamos por terrenos repletos de arbustos com seus galhos secos e prontos para alimentar o fogo que se movia por todos os lados que nossa visão podia alcançar. Chegamos a um grande rio seco, desnudado pela falta de chuvas, formando canyons extensos e solitários, de uma beleza triste e devastada. Encontramos o que deveria ser uma cachoeira de uns 10 a 15 metros de altura, intransponível pela falta de equipamentos de segurança. Percorri o local em busca de uma alternativa, um outro caminho que nos levasse para baixo, sem riscos. Encontrei outro rio, afluente daquele, que precisávamos subir para contornar a queda d´água vazia. Seguimos até um ponto onde não havia trilhas nem picadas, e o mato se alastrava em todas as direções. Apesar do desconforto e do risco, entramos mato adentro até a beirada da montanha. O grupo ficou disperso e desfizeram-se as lideranças; devíamos tomar providências, mas os conflitos de opinião nos cegavam para o óbvio: alguém teria que assumir a liderança e levar a tropa montanha abaixo. Depois de muitas discussões, os líderes da expedição reassumiram suas posições, talvez frustrados por não ter surgido a liderança que esperavam de nós naquele momento. Chegamos ao sopé da montanha e retornamos por uma trilha à procura do rio que não conseguíramos transpor. Ao longe, no horizonte, as chamas destruíam os arbustos à nossa frente, evidenciando a catástrofe que se abatia sobre a Chapada Diamantina. Apesar de sua assustadora presença, aquele não era o maior foco de incêndio; soubéramos depois que as brigadas de incêndio sequer sabiam da existência desse foco, em uma área conhecida como Mar de Espanha. Na confluência do rio Paraguassu com aquele que margeávamos montamos nosso acampamento, com um sentimento de receio e dúvida quanto à nossa segurança naquele local. Levamos nossas preocupações ao chefe da expedição que decidiu, de imediato, levantar acampamento e buscar local mais protegido e seguro. Ficamos em uma clareira cujo incêndio nos dias que se antecederam já tinha acabado com todo o matagal ao redor. Já estava evidente a todos que não conseguiríamos transpor aquele obstáculo pelo trajeto original planejado. No dia seguinte fomos para Mucugê, em busco de uma nova alternativa à progressão rumo ao Vale do Pati. Seguimos para Guiné, pequeno povoado aos pés da fortaleza de montanhas que se estendiam por quilômetros nos limites do parque e protegiam o Pati em seu interior. Acampamos ao lado de uma escola e as crianças se divertiram a tarde toda, assistindo as nossas atividades, às representações teatrais e às aulas preparadas pelos alunos, conforme orientação da OBB. Saímos no dia seguinte pela manhã, em direção às montanhas que tínhamos que transpor. Seguimos por uma trilha muito bonita, protegidos do sol e do calor pelas nuvens que se formavam no cume da montanha e prometiam uma melhora das condições climáticas, o que só se efetivaria muitos dias depois. Chegamos ao planalto algumas horas mais tarde, cansados mas reconfortados por termos tomado essa decisão: o trajeto era muito mais bonito, estava longe dos incêndios e podíamos, finalmente, ter certeza de que, naquele mesmo dia, avistaríamos o Pati. Chegamos a um mirante que dominava toda a paisagem ao redor: lá estava o Pati, majestoso e gigantesco, sob nossos pés, à nossa frente, cercado de montanhas, coberto de uma vegetação viva e perene, sobre a qual rasgavam-se as trilhas que percorreríamos a seguir. Depois de uma sessão de lanches e fotografias, começamos a descida por uma pirambeira perigosa e escorregadia e, depois de uma hora de desescalaminhada, atingimos o Vale do Pati! Seguimos pelas trilhas, passando por casas de moradores que viviam lá desde antes da criação do parque. Eram os guardiões das matas, protetores da fauna e da flora riquíssima dessa região fantástica e bela. Finalmente, encontramos o local onde pretendíamos acampar e onde ficamos por duas noites, à beira de um riacho de águas transparentes e geladas. Este seria nosso refúgio para desvendar alguns segredos da mata ao nosso redor. No dia seguinte, pela manhã, partimos com a carga mínima, para escalar o Castelo, uma montanha majestosa, da qual pretendíamos avistar todo o vale, antes do entardecer. Havia uma pequena caverna, pela qual passamos para atingir o outro lado da rocha. Aproveitei a oportunidade para dar algumas informações a respeito da gênese das cavernas, suas principais formações e ornamentos, tipos de rochas, animais que as habitam, sua importância científica, cultural e cênica. Do alto da montanha visualizamos uma pequena cachoeira, a do Funil, que iríamos visitar ao descer, depois do tradicional lanche e da sessão de fotos. À beira do abismo, balançando-se ao vento em um pequeno galho, um rato comia as folhas, agarrado apenas pela cauda, e indiferente ao perigo que corria. A cachoeira era pequena, tinha pouca água, mas foi o suficiente para nos refrescarmos e nadar no poço formado à sua frente. Finalmente, voltamos para o acampamento, executamos nossas rotinas habituais e nos retiramos para descansar. No dia seguinte deixaríamos aquele local, dando início ao nosso retorno. Saímos cedo e, em poucas horas, chegaríamos a uma ponte onde pretendíamos acampar ao fim daquele dia. No meio do trajeto paramos para um lanche e assistimos a uma apresentação de técnicas adaptadas de salvamento, utilizando recursos de nossa própria bagagem e de materiais encontrados no local de um suposto acidente. Juntamente com as lições de navegação, leitura do clima e técnicas de salvamento no mar, esses depoimentos acrescentaram o sabor e o tempero da expedição. Chegamos à ponte bem cedo, com bastante tempo para montar o acampamento, assistir a outras preleções de nossos instrutores e, ainda, tomar banho no rio Pati. No dia seguinte iniciaríamos o retorno a Andaraí. Ainda havia uma decisão a tomar: voltar pela Ladeira do Império, enfrentando o calor, a forte aclividade do terreno e a falta de fontes de água no caminho, ou procurar um novo trajeto, menos íngreme e com boas alternativas de acampamento e fontes de água. Decidimos seguir pelo leito do rio Paraguassu e por trilhas às suas margens, que sabíamos existir pelos relatos de nativos. Logo encontramos uma trilha, bem fácil de seguir, que começou na margem esquerda do rio e logo o atravessou, seguindo pelo outro lado. Encontramos a casa de mais um morador local, que nos alertou para os riscos de ataques de abelhas e para a extensão da trilha. Seguimos adiante, mais cautelosos e atentos aos insetos. Felizmente, nada aconteceu. Andamos durante todo o dia; procurávamos um acampamento de garimpeiros, onde sabíamos existir uma boa área para o pernoite. Já escurecia quando, finalmente, aqueles que seguiam adiante encontraram a casa de garimpeiros, protegida por rochas altas e farta vegetação. Era um excelente local, e acampamos. À noite, um banho coletivo de rio, com direito a observação do céu, brincadeiras descontraídas, e um jantar agradável sob a luz da lua cheia. No dia seguinte, nossos líderes nos abandonaram: deveríamos conduzir o grupo sem a presença deles, tomando decisões sozinhos e seguindo até a ponte sobre a rodovia que liga Andaraí a Mucugê. Eles se atrasariam e seguiriam depois. Deveríamos nos reencontrar na cachoeira da Donana. Depois de uma longa caminhada, chegamos à Donana e qual não foi nossa surpresa ao encontrá-los lá, à nossa frente, inteiros, como se não tivéssemos percorrido o mesmo terreno! Refeitos da surpresa, tomamos um lanche e retornamos a Andaraí. Fizemos compras de frutas e legumes e seguimos para o Marimbus, um pantanal com muitas semelhanças ao mato-grossense. Lá ficaríamos acampados em uma fazenda, aprendendo a manobrar um barco canadense que deveria ser utilizado nos dias restantes da expedição, rumo ao Poço Azul, onde seríamos resgatados, ao final de 14 dias de caminhada e remo, levados de volta à fazenda e, depois, à pousada, onde terminaria o nosso treinamento. Mas não chovera um só dia durante mais de uma semana que caminháramos... como encontrar água para remar? Surpreendentemente, ao chegarmos ao Marimbus, a chuva despencou sobre nós. Fizemos um treinamento de técnicas básicas de canoagem no primeiro dia, e retornamos ao acampamento. Porém, aquela noite ainda nos reservava uma surpresa: durante todos aqueles dias que se antecederam carregamos uma lona, que era utilizada para cobrir o solo nos serviços do café da manhã, almoço e jantar. Também servira para nos sentarmos durante as preleções e aulas de yoga e, ainda, para dormirmos ao relento, quando as condições do local assim o permitiam. Havia, no entanto, outra função para as lonas... Naquela noite fomos informados que dormiríamos ao relento, sem barraca, apenas com a lona para nos servir de abrigo. Isso não teria sido problema se o tempo não tivesse decidido complicar as nossas vidas: logo antes de sermos "expulsos do paraíso", uma forte tempestade caiu sobre nós! Tivemos que seguir sob a chuva e fomos deixados, um após o outro, em pequenas clareiras no matagal, apenas com a lona, um lanche que fizéramos às pressas, isolantes térmicos e sacos de dormir, lanterna, apito e uma folha de papel sulfite, onde deveríamos registrar nossos pensamentos sobre a experiência do FEAL em nossas vidas. Essa carta seria endereçada a nós mesmos, seis meses depois de encerrada a expedição. A chuva, os mosquitos, as formigas, o frio e o isolamento foram nossos companheiros da noite insone. A carta foi escrita e eu nem me lembro o que registrei na folha de papel. Voltamos ao acampamento na manhã do dia seguinte, sob a chuva que teimava em cair, e demos início à segunda parte de nosso treinamento: descer o rio Santo Antônio, passar para o Paraguassu e seguir até o Poço Azul, cerca de 40 km abaixo da Fazenda Marimbus. Remar, agora, parecia-nos a mais leve das atividades, não fora um imprevisto: as lagoas do Marimbus não se conectavam devido aos baixos volumes de águas nos seus rios formadores. Após pouco tempo de navegação nos encontramos diante de um obstáculo bizarro: um trecho de mais de cem metros de terreno coberto pela vegetação aquática que nascia sobre uma profunda camada de lama, repleta de caramujos. Achei, de imediato, que voltaríamos, pois me parecia irracional nos arriscarmos a um contágio com o principal vetor de esquistossomose: o caramujo dos pântanos. Mas não paramos por aí. Amarrando as cordas de todos os barcos umas às outras, foi improvisado um processo de arrasto para puxar os barcos sobre aquela vegetação que agora me parecia nojenta, enquanto os outros rastejavam na lama, empurrando os barcos. Não sei quanto tempo durou aquela atividade insana, mas os barcos transpuseram, finalmente, o obstáculo e, agora, estavam livres para navegar rio abaixo. Essa atividade de canoísmo foi uma das mais agradáveis da expedição, exigindo pequeno esforço e possibilitando um forte entrosamento dos participantes. Fizemos dois acampamentos ao longo do rio, acompanhando de perto o crescimento de suas águas, o que nos garantiu chegar ao destino, Poço Azul, final de nossa inesquecível expedição. Provavelmente, essa terá sido uma de minhas melhores experiências em ambiente natural. Das lições que me ficaram, um conceito se esclareceu, definitivamente em meu pensamento: "leave no trace"! Deixamos a Natureza como a encontramos... nossos filhos agradecerão! Lembrei-me de um pensamento, cujo autor desconheço: "La Tierra no es una herencia de nuestros padres, sino un prestimo de nuestros hijos!" Descansei feliz e realizado... Feliz dia de Hoje!Dizem os discípulos de Budha: o que importa é “o aqui e o agora”. Muito se tem repetido esse aforismo, embora pouco se tenha meditado a respeito de seu pleno significado. Não vou cansá-los tentando explicar o que me parece óbvio! Mas sei que o passado já foi escrito e o futuro ainda está por se registrar nas páginas das nossas vidas… só o presente está “aqui e agora”, pronto para ser degustado, experenciado, vivido em toda a sua plenitude! Ou então, deixado à sua própria sorte, passando ao largo de nossos olhos, de nossos pensamentos, de nossos sentimentos e ações possíveis! Brindemos, pois, ao presente, que só ele nos pertence! E à Natureza, que preserva nossa pureza, ingenuidade, simplicidade e beleza, únicas e incomparáveis! Saudemos esse Universo que nos envolve, com suas miríades de estrelas que cintilam em nossos olhos, turvos de civilização e de conflitos, obscurecidos pela brutalidade trazida pelos próprios homens à sua cotidiana vida… não é a violência das selvas que nos assusta, e sim a escuridão da alma humana, embaciada pelos vícios e ambições terrenas… Sempre que mais um ano se completa em nossas vidas, percebemos a grandeza do Cosmo diante de nós, mas, ainda assim, continuamos apegados demais às fraquezas, que seduzem mais do que o entardecer… Não quero antever os dias que virão, com promessas que não sei se cabem em minhas possibilidades futuras… quero, apenas, viver o que o tempo me oferece a cada dia…isso me bastará sempre! Desejo, portanto, àqueles que se importam comigo, e àqueles a quem entrego meus pensamentos, um feliz dia de hoje, a cada novo amanhecer... Sentimento EstranhoEstranha sensação que me envolve e cala, Desejo incontido e mudo neste chamado inútil... Secreto sentimento na mensagem cifrada, Entendimento cego que amedronta e mata... Há um engasgo em meu peito... um soluço rouco, Receio de mim mesmo - desvario ou sonho? Pesadelo recorrente, a me levar desperto, Temor apavorante de acordar sozinho... E me perceber silente, desfalecido, exangüe, O pulso inerte, o peito ocluso e meu olhar sem luz, E a sensação confusa de me saber ausente, E a consciência inconsolada, a consumir meu ser... Em meu entorno, a noite: negra, eterna e fria, Em mim, alma apartada, a solidão perene, E a certeza atordoante de meu destino, enfim, Saber constrangedor de não estar aqui... A uma criança abençoada...Pequenino ser que, aos poucos, se transforma e encanta, Tornando viva a primordial semente do amor que o gerou... Que lhe reserva a Vida, minha criança? ouso lhe perguntar, silente. E ouço o som de um coração que pulsa, intenso, de esperança! Em sua mente ainda não germina a dor e o sofrimento... Tampouco crescem virtudes e mazelas desta humana Terra... Qual será o seu destino, enfim? insisto em indagar, perplexo... E, novamente, apenas o coração responde com seu eco forte. Pois, sim, uma criança ainda em formação no seu materno ventre Não sabe o mundo que herdará dos pais que hoje nos tornamos... Portanto, às indagações alguém responderá, enternecido e breve: De nós terás a "natureza morta" ou a indescritível beleza preservada! Assim, meu neto, querido ser tão esperado, busco fazer minha parte, Retribuindo o que restou da herança recebida de meus ancestrais... E sei que o tempo, célere, exige, de cada um, o esforço extremo Por retratar-nos do mal que praticamos ao devastar o Paraíso Eterno! Vem, neto querido, ajude a compreender essa fundamental missão: Que haja, na Terra Prometida, mais bondade, empenho e caridade! Que venham a nós crianças abençoadas pelos desígnios do Bem! E possam, nossos filhos, resgatar, do caos, o Shangrilá perdido... Nicolas, meu netinho, benvindo às infinitas belezas desse mundo, E lute por cultivar virtudes, a despeito do mal que não se esconde... Essa é a lei do Bem e da Verdade, que espero ver cumprir, um dia: Em lugar do vale de lágrimas que religiões terrenas nos legaram, Apenas Luz, a indicar a estrada que o mundo desconhece... Capitalismo em CriseNem o mais brilhante economista poderia antever essa situação; nem o mais radical revolucionário marxista ou anarquista poderia desejar esses resultados! O Capitalismo mundial, globalizado, americanizado, está em crise, em estado terminal! Pode parecer uma profecia de Nostradamus, mas não é! O Ocidente e o Oriente se encontraram nesta encruzilhada em que nos metemos graças à convicção de que os Estados Unidos da América do Norte seriam sempre o Norte, o Guia, o Destino de nossas realidades! Que o "Welfare State" seria factível, desde que nos convertêssemos ao jugo, ao domínio, ao poder único e infalível das terras do Tio Sam! Não era verdade, agora sabemos... mas talvez seja tarde para buscar novos rumos. Sim, porque constatamos que nossas economias foram reduzidas a migalhas para salvar a Economia Americana! E o que temos nós a ver com as aventuras das instituições bancárias daquele país? Se eles criaram créditos para que a classe abastada se endividasse comprando mansões, nosso povo continua morando nas favelas, dependurados nos morros, à beira dos esgotos a céu aberto, convivendo com narcotraficantes e bandidos de toda espécie... Se as eleições foram "um sucesso", sem violência ou falcatruas, isso só foi possível com o exército tomando conta das áreas de conflito, intimidando a população às avessas, para que elas não se rendessem às ameaças dos seus "protetores". E agora, quando tudo irá "voltar ao normal" nas favelas e câmaras de vereadores, só nos resta olhar o dinheiro desaparecendo de nossas poupanças para proteger a quem? Aos Banqueiros, meus amigos! Justamente aqueles que auferiram os maiores lucros de sua história nos últimos quinze anos! E sem nenhum risco, pois suas ofertas de financiamento desaparecem quando preciso, e são lastreadas pelos juros mais altos do mundo, um "spread" que lhes assegura toda a traqüilidade, uma vez que em menos de 12 meses já têm todo o seu dinheiro retornado, restando 12, 24, 36 parcelas de puro lucro! É assim que o mundo existiu até hoje: na usura dos oportunistas, justamente aqueles que não contribuiram nunca, em nenhum centavo, para a produção de riquezas! Essas instituições que estão falindo na Europa e nos Estados Unidos não levarão consigo seus empresários banqueiros, que estes, na pior das hipóteses, irão usufruir de suas próprias riquezas, expropriadas do trabalho e do suor da massas operárias! Olimpíadas e EleiçõesNão sei se o que mais me incomoda nesses dias é o desequilíbrio emocional de nossos atletas, que resultou em tantas frustrações e decepções que não deveriam ter acontecido, ou se é o horário eleitoral brasileiro, que nos obriga a ver a "cara de pau" desses políticos, que insistem em continuar mentindo descaradamente ao povo brasileiro, como se fôssemos idiotas desmemoriados! No caso de Pequim (Beijing?), a pergunta que não se cala é como pode uma delegação tão grande trazer resultados tão medíocres? Sempre fomos muito condescendentes com nossos atletas, compadecendo-nos de suas derrotas e recebendo como heróis os poucos vitoriosos que conseguiram agregar ouro em suas bagagens... mas seria esta uma postura adequada e produtiva, ou deveríamos encarar de frente nossos fracassos e tentar extrair desses resultados uma lição positiva? Onde estamos falhando? Nas finalizações, nos jogos decisivos, depois de uma campanha geralmente brilhante! Sim, nós perdemos pelo desequilíbrio emocional e pela incapacidade de resistir às pressões das expectativas deixadas no Brasil. Chorar não adianta, nem culpar as regras das partidas, nem a perda da vara no momento de saltar! Não sou um atleta olímpico, mas todos somos brasileiros fanáticos, torcedores ansiosos pelo ouro olímpico e pelos recordes mundiais. Somos um povo pacífico, e talvez isso faça a diferença, pois não sabemos lutar até o fim, até a "morte", até o último suspiro de nossos pulmões exaustos! Mas esse é o espírito olímpico, a superação extrema, radical, que leva às vitórias e à conquista de medalhas! Sabemos que o treinamento de um atleta não deve se restringir ao seu condicionamento físico, pois é preciso um preparo mental, uma transcendência espiritual que nos afaste do objetivo imediato do louro da glória e do metal das medalhas. É preciso lutar por cada ponto como se fosse o único, sem olhar para o placar final ou para as possibilidades estatísticas e enganosas das tabelas, que nos levam a supor a vitória antecipada e a perder o espírito guerreiro do vencedor das batalhas! Creio que o verdadeiro treinamento seja aquele que nos leva aos limites de nossos temores mais profundos, dasafiando o pânico e o desespero de não perceber possibilidade alguma de vitória e, no entanto, continuar lutando até o fim! Talvez um treinamento de sobrevivência nas selvas amazônicas pudesse surtir esse efeito... talvez escolher aqueles atletas que, diante do adversário mais difícil, se agigantem e, tal qual Davi, enfrentem seu Golias com determinação e raça, e, mesmo perdendo, se conservem altiivos e vitoriosos aos olhos do público! Há que se imaginar o gladiador, que sabe que será devorado pelos leões, mas não desiste da luta, e valoriza seu desfecho fatal ao mostrar à fera que não é um ratinho medroso, mas um valoroso guerreiro que cai, mas não se entrega ao desespero e à vergonha de perder encolhido e choroso, humilhado e ridicularizado pela horda de fanáticos que urram nas platéias ao verem seus corpos serem despedaçados! E as eleições? Sim, os políticos estão novamente por aí, mostrando-se conhecedores das mazelas do povo oprimido, cada um prometendo o que não pode e não pretende entregar, sem nenhuma vergonha estampada em sua "cara de pau" costumeira... então, por que votamos? para que continuar elegendo aqueles que irão nos roubar, nos enganar e rir de nossa ingenuidade infantil? Está na hora de reagir, de enfrentar o fracasso desse modelo político ancião e moribundo! O mundo se tornou Capitalista e optou pelo enriquecimento a qualquer preço, desde que os detentores do poder permaneçam os mesmos, aquela mesma casta burguesa nascida da decadência da realeza da corte da França de Antonieta! Sim, pois o poder está com os milionários, novos ou quatrocentões, aboletados em suas fortunas indecentes, sugando o sangue dos trabalhadores sem esperança, que ainda acreditam na permeabilidade social desse imenso canavial, que também é o das plantações de soja e das fazendas de criação de gado. Enquanto isso, magnatas do campo, do alumínio e da celulose das matas de pinus e eucalipto devassam nossas florestas verdadeiras, transformando-as em pastagens imprestáveis, extraindo nossas riquezas para seu deleite e prazer. Seria essa nossa vocação política? Eu não voto mais nesse país de arrogantes! Como deixar que minha opinião política seja utilizada para conservar no poder essa minoria privilegiada? Deixei de votar em 2003, com as indecências do PT e do PSDB, os dois partidos que ainda se julgavam sérios e honestos... Pensem nisso! Lembrem-se de 1974, quando o voto de protesto contra a ditadura militar assumiu proporções alarmantes para a classe política, levando-os a reavaliar suas posturas e reconsiderar a certeza de que o povo seria uma massa disforme e manipulável pelos interesses das classes dominantes. Está chegando a hora de uma nova reação pública de repúdio à imoralidade administrativa! Eu voto nulo! Síndrome da "Terezinha"Quem, como eu, teve o privilégio de viver os anos 70, não pode se conformar com a degradação moral e intelectual de nossos dias. Digo isso com pesar e constrangimento, pois essa é a nossa herança para a geração de nossos descendentes, nossos filhos, nossos netos... Quando a televisão brasileira se estruturou, no Brasil, nos anos 50 e 60, foram criados programas importantes como a "TV de Vanguarda" e a "TV de Comédia", da TV Tupi, verdadeiros palcos teatrais pelos quais passaram dramaturgos e atores da mais elevada expressão artística nacional, proporcionando Cultura ao nosso povo e estabelecendo padrões de qualidade que, infelizmente, não prosperaram. Sim, pois aquele que hoje é tido como o maior fenômeno de comunicação da mídia televisiva brasileira, o Chacrinha, foi quem estabeleceu, também, suas regras de marketing, adaptadas da máxima falaciosa de "dar ao público o que ele quer", ou seja, "vocês querem bacalhau?"... Talvez a expressão "merda", manifestada aos artistas antes do início do seu primeiro espetáculo, seja decorrência desse desejo ancestral de superar a fase anal da criança que permanece em todo o ser humano, a despeito de sua cultura, inteligência e originalidade. Quem assistiu aos "Concertos para a Juventude" ou até mesmo às primeiras exibições que fizeram a fama do mais antigo programa da televisão brasileira, o "Fantástico", nunca imaginaria que se chegasse tão fundo na oferta "cultural" de nosso meio de comunicação mais abrangente! O que sobrou hoje? Talvez apenas uns poucos documentários reprisados à exaustão pelas emissoras de TV a cabo... Duas gerações se passaram desde então, e nossos valores éticos e morais se esvaneceram, definharam, sucumbiram pela ação nociva e persistente das novelas globais, desagregando a família e corroborando uma crise intelectual sem precedentes na história da humanidade. Hoje, paradoxalmente, todo mundo "sabe" de tudo o que se passa ao seu redor, consegue "dar palpites" sobre qualquer assunto, sem, contudo, demonstrar a originalidade e a reflexão características de uma inteligência perspicaz, evidenciando a homogeneidade e a ingenuidade simplória do pensamento que caracteriza o universo contemporâneo... A maior crítica que se fez sempre aos regimes socialistas foi a falta de liberdade de expressão, imposta ao povo pelos governos totalitários, para os quais o interesse coletivo se sobrepunha aos interesses individuais e a ideologia do partido se impunha às ideologias dos pensadores. Críticas verdadeiras. Paradoxalmente, porém, a existência dessa dualidade de pensamentos, essa dicotomia profunda entre as liberdades individuais e os interesses coletivos, alimentava o pensamento intelectual e enriquecia o conhecimento filosófico, a despeito das suas graves conseqüências. Se o mundo viveu anos de terror causados pela guerra fria e pela intolerância dos regimes políticos, a humanidade ganhou em sabedoria e em obras de inestimável valor cultural. Reflexo disso é o "Cinema de Arte" que prevaleceu durante mais de uma década, produzindo as mais belas expressões culturais do século XX. O mesmo se deu com a música, a literatura e o teatro hispano-americanos nesse mesmo período. Hoje, no entanto, a música, a literatura, o teatro, as artes plásticas, o jornalismo e, principalmente, a televisão, vivem o mais tenebroso obscurantismo intelectual de nossa história, alimentado pelo imediatismo da notícia "em primeira mão", pela ansiedade do mundo eletrônico "sem fronteiras" e sem privacidade, pela ganância insaciável de uma civilização que não tem limites para o ganho desmesurado, para o consumo supérfluo e para a projeção social, a ambição e a vaidade de cada indivíduo, em detrimento dos valores coletivos e do sentimento humano. Daí, a Síndrome da "Terezinha", uma compulsão irrefreada por entregar ao público aquilo que choca mas não enriquece, excita mas não enobrece, dá ibope mas não tem valor. Por isso, as empresas investem cada vez mais na propaganda barata, vagabunda e estúpida da guerra de preços e de ofertas fantasiosas e mentirosas, da venda de qualquer coisa, a qualquer custo, para qualquer um. É deplorável que assim seja, mas a cada dia existem menos seres pensantes na face da terra, menos pessoas capazes de conduzir seu próprio raciocínio e chegar a uma conclusão coerente, a ter suas próprias idéias, a ser original, a ter domínio sobre seu próprio destino, enfim... por isso, é difícil continuar seguindo a jornada, pois isso também acaba por se revelar, apenas, mais um desprezível slogan: "Keep walking, Johhny Walker"! Infâmia!Vivemos em um país de hipocrisia: enquanto uma grande maioria está sujeita às garras poderosas da justiça, uns poucos privilegiados são intocáveis e protegidos exatamente por aqueles que deveriam defender, a qualquer custo, nossas instituições democráticas! Senão, em que outro país poderia, o próprio presidente da Corte Suprema proteger um notório bandido, concedendo-lhe, por duas vezes sucessivas, o habeas corpus, com a evidente intenção de desmoralizar outra instituição, esta sim séria e competente, a Polícia Federal, que tantas demonstrações tem dado de seu empenho em tornar esse país mais digno, honesto e decente. Aquele outro bandido, o Salvatore, deveria pedir isonomia de tratamento à Justiça internacional, exigindo a si os mesmos direitos de permanecer livre, já que nossos mandatários não conseguem discernir entre o Bem e o Mal... Afinal, por que prender bandidos, se a Justiça (?) os solta imediatamente? Que exemplo se dá à nossa juventude aqueles de quem se espera o exemplo e o modelo de conduta? Se a Lei maior permite a soltura, existe uma lei suprema, a da decência e do clamor popular, que reivindica e exige que se cumpra o dever de todo o brasileiro de defender nossos valores e dignidade! Até quando irão nossas autoridades nos tratar com escárnio e desprezo, tomando-nos por idiotas, fingindo erudição e fazendo-se de puristas em defesa de conceitos reprováveis como esse? Já não basta tudo o que vem acontecendo nos outros poderes, no Senado, na Câmara e na própria Presidência da República? Já não bastam os escândalos acobertados em nome do "crescimento econômico"? Esse terço já foi rezado durante a ditadura militar, quando se dizia que primeiro deveríamos ver crescer o bolo para depois distribuí-lo à população miserável (olá, Delfim!). Isso nunca aconteceu! Não podemos mais nos omitir diante de tantas ignomínias de nossas autoridades! Seria para isso que elegemos nossos mandatários? Isso é a democracia pela qual tantos deram suas vidas nos porões do DOPS e nas guerrilhas do Araguaia? O que fizemos para preservar nossa liberdade se justificaria agora diante de tantas barbaridades? Para que votar, se os eleitos riem de nós quando empossados, e nos fazem de otários diante das câmeras de TV? Que tipo de compromisso tem esse ministro com o tal Dantas para utilizar uma argumentação tão estúpida e infantil para justificar tal habeas corpus? Não basta a descarada tentativa de suborno (um milhão de dólares!) de um delegado federal para manter esse corrupto atrás das grades? Bem, se o Maluf permanece impune, livre, eleito deputado e falastrão como sempre, sem que nada lhe aconteça, é de se esperar que nenhum ricaço vá ser preso nesse país! Eu deixei de votar quando o PT me decepcionou em 2003. E não pretendo colaborar pela manutenção desse status quo; nunca mais! Não adianta! Somos uma minoria humilhada e dispersa em um país de analfabetos. É inútil lutar contra os poderosos; sempre foi assim, desde que Portugal abriu as portas de suas cadeias para despejá-los em nosso território. Assim também foi quando o Imperador Dom João VI retornou a Portugal, repassando-nos a dívida de guerra de Napoleão! Cada um que faça sua parte, mas a minha está nas palavras que escrevo e no protesto silencioso de meu voto desperdiçado... Ser mãe...Hoje o mundo amanheceu mais bonito... minha filha vai ser mamãe! E despertou meus sentimentos mais puros e minha generosidade perante o gênero humano! Afinal, existe uma esperança, e esta terá nome e será benvinda na terra dos homens, pois terá o nosso carinho e afeição incondicionais! Minha netinha... ou meu netinho! Que alegria! Minha filhinha barrigudinha, acolhendo essa criatura que crescerá e se desenvolverá para perpetuar nossas verdades, nossos sentimentos mais nobres, trazendo novas possibilidades àqueles que querem acreditar que, enfim, a vida prosseguirá... Existem momentos que nos transformam completamente. Eu não sabia qual seria meu sentimento quando chegasse esse momento... mas tinha certeza de que algo dentro de mim se modificaria para sempre! Sim, pois nunca desistimos de acreditar que o bem e a justiça se farão presentes! Eu nunca saberei o que é ser mãe... este é o destino dos homens! Mas sinto que posso ser o melhor avô deste mundo, cuidando para que nada falte a essa criança bem-aventurada: amor, carinho, proteção... pois o resto será dado pela própria vida, que cuidará de reservar a ela só o bem... Benvinda, minha criança querida! Seja mais um Ser a colaborar para que o mundo seja melhor e que a justiça, a generosidade, a honestidade, a dignidade sejam os traços de sua personalidade! Não importa o que sejas neste mundo, desde que venhas para trazer alegria e amor! Um beijo de seu avô que contará cada minuto do tempo que levará para você chegar até nós! Estaremos preparando seu caminho, como quem cultiva uma árvore, que se tornará frondosa e bela. Quando nasceres, teremos para ti todo o amor, afeição e carinho para te oferecer... Seja benvinda, nossa criança querida! A bestialidade da sociedade digitalA gente nem percebe... primeiro, começamos a olhar os programas idiotas da televisão, com certo desconforto intelectual. Afinal, deixamos de ler um livro, paramos de conversar com os amigos, ficamos mais quietos e passivos... apáticos... já não mais discutimos os assuntos que antes nos empolgavam. Depois nos acomodamos... e passamos a achar natural aquela dependência psicológica das telinhas e de seus programas mais cretinos! Afinal, todo mundo vê tevê, não é mesmo? E só mesmo os sites de relacionamento superam a televisão nas preferências dos jovens de qualquer idade! Eu percebi que estava dependente quando já não mais conseguia fazer outras coisas: deixei de ler jornais, abandonei meus livros, parei de ouvir música, perdi grande parte do convívio familiar e passava horas assistindo as mais estúpidas criações do espírito humano! Para consolar minha consciência, passei a assistir apenas documentários sobre a Natureza... menos mal, eu pensei... pelo menos não vejo o faustão, o hulk, a angélica, o gugu, as novelas, o silvio santos, o raul gil, o próprio fantástico e tantos outros programas bestificantes da televisão brasileira. Vocês já repararam que perdemos até a criatividade da cretinice? Sim, pois grande parte desses programas imbecis são tirados de modelos da televisão mais estúpida do mundo: a americana! Até o jô copia o David Letterman! E os noticiários, que repetem à exaustão a mesma informação durante dias seguidos, de manhã, à tarde e à noite? E a publicidade imbecil das lojinhas que cresceram vendendo produtos de carregação às classes D e E, como a bahia, a colombo, a ricardo, a c&a, a renner, a eletrozema (existe isso??? existe!), a luiza, a marisa, as americanas e pernambucanas, a ultrafarma (mas remédio também pode? pode!!!!!!!!!!)... Só que, mesmo me restringindo à Natureza, deixei de pensar! onde foi parar o meu senso crítico? minhas idéias? minha consciência intelectual? minha auto-estima e meu respeito por mim mesmo? tudo isso foi parar no meu lixo pessoal da acomodação e da passividade! Meu universo ficou restrito a um quarto com tv e notebook! CHEGA!!!!!!!!!!! Os Sete PecadosAssim como os crentes, os leigos também cultuam seus pequenos pecados... muitos, porém, são Pecados Capitais! Nada direi da gula, da vaidade, da luxúria, da avareza, da preguiça, da ira e da inveja, pois esses são pecaditos que só fazem mal a quem os tem... Direi, sim, daqueles que levam o homem a praticar maldades, a destruir àqueles a quem amam, ou deveriam amar... a degradar a Natureza, a produzir infâmias inomináveis até para o mais amaldiçoado dos seres... a nos conduzir para o fim inevitável! Falarei dos vícios, não os terríveis, que acabam com o Ser em tão pouco tempo que mal dá para fazer mal a outrem, senão a si próprios. Falarei do comportamento predatório, aquele que destrói tudo que é valioso para a humanidade. Falarei, também, da maldade intrínseca daqueles que juram nos proteger enquanto representantes e delegados para cuidar de nossos interesses públicos. Direi, ainda, que a intolerância é irmã gêmea da libertinagem, assim como todos os extremos se tocam no infinito. E, assim, serão seis os pecados, pois o sétimo está no coração de todos os homens, e só espera a distração e o descuido para se manifestar... esse eu deixarei para o final, para que cada um o encontre por si mesmo e o extirpe, feito erva daninha! Quais serão esses vícios tão perniciosos? De que, afinal, morre e mata o ser humano, mais do que a pior das doenças, a pior das epidemias, a pior das guerras, dia após dia, dentro e fora de nossos lares? Seriam o tabagismo, o álcool, o AVC, o infarto, os acidentes de trânsito, a violência urbana, o câncer?... nossas vidas foram traídas pelo ritmo alucinado da sociedade contemporânea! Porém, quando mencionamos os acidentes vasculares cerebrais, o infarto e o câncer, estamos dissimulando suas verdadeiras causa mortis que são o descontrole causado pelos vícios: o cigarro mata destruindo os pulmões, enquanto que o álcool mata destruindo o fígado (e os neurônios!)... o stress mata ao destruir o equilíbrio emocional... o tabagismo e o álcool são a porta de entrada para o uso de drogas mais pesadas... e todos eles são causas potenciais de diversos tipos de câncer, de quase toda violência urbana e da maioria dos acidentes de trânsito! Quantos crimes se cometem por excesso de álcool ou falta de controle emocional? Mais, porém, do que essas causas individuais, existem as causas coletivas da morte: a destruição da Natureza, a manutenção da miséria como recurso colonialista, a exploração das fraquezas humanas através do tráfico e consumo das drogas, o incitamento à violência racial e religiosa, conseqüência natural da intolerância e da libertinagem, as políticas públicas direcionadas para a conquista e o domínio de bilhões de seres humanos... E as plantações de tabaco, de cana de açúcar e de todas as culturas extensivas que, no período colonial se denominavam plantation e foram a causa da escravidão no Brasil e demais terras do Novo Mundo? e a criação extensiva de gado, que além de desmatar florestas produz enorme quantidade de gás metano, uma das causas do aquecimento global... ??? Pois somos muito competentes em dissimulação! Fingimos desconhecer essa realidade que nos mata, tentamos ignorar o fim que nos espera, certos de que iremos embora antes que esses males nos destruam, e deixamos aos nossos descendentes a responsabilidade por reverter esse quadro de desolação que nos espera... haverá tempo para eles? A cada dia, o fim nos parece mais próximo! Enquanto isso, os fenômenos naturais nos enviam alertas desesperados, tentando nos convencer do pouco tempo que nos resta: são furacões, tufões, ciclones, maremotos, terremotos, erupções vulcânicas e ondas gigantes (tsunami) que gritam em nossos ouvidos moucos! Não sei se falei dos sete pecados... nem importa! Mas adicionei meus clamores aos apelos da Natureza... quem quiser, acredite! Não será Nostradamus quem dirá que nosso fim está próximo: seremos nós mesmos! Adivinhou o sétimo pecado? Pois é apenas e tão-somente a sua omissão!!!! TédioFalares desnecessários... Dèja vu... tudo me parece igual... Até os latidos dos cães! ... a monotonia das feições... ... os pensamentos... ROTINA!!!! Quem disse isso? Silêncio dentro de mim... Latidos desnecessários... Dèja vu... tudo me parece igual... Até os falares dos mortos! ... a monotonia dos pensamentos... ... as feições... ROTINA!!!! Quem disse isso? Silêncio dentro de mim... Acordar... para que? A ilusão acabou ("Diário de um louco")Chega de ilusões! Não adianta nos enganarmos pensando que os verdadeiros ambientalistas salvarão a Terra, e a Natureza, enfim, prevalescerá e sobreviverá à ambição descontrolada da Humanidade... isso não é possível! Quem já leu alguma obra de ficção centífica, ou assistiu a filmes que "revelam" o futuro da Terra percebeu que os autores são unânimes ao imaginá-la deserta, sem vida, sem matas, sem animais, povoada de zumbis, fantasmas ambulantes tentando sobreviver à fome, à miséria, à escassez de água, e ao agreste... Isso não é pessimismo; é pura realidade projetada em nossos filhos e netos, herdeiros dos atos que praticamos no presente! Sim, pois que as políticas ambientais são meros artifícios ilusionistas para confortar nossas consciências, como se o problema não apresentasse a gravidade que de fato existe! A Natureza está morrendo e nada poderemos fazer para evitá-lo! As evidências são inúmeras e incontestáveis! A política ambiental visa apenas reduzir o ritmo dos desmatamentos, ou seja, o suficiente para legarmos a nossos filhos a responsabilidade pela extinção das matas, da vida selvagem, dos espaços de preservação ambiental, cada vez menores. Nunca se fala em desmatamento zero! Como pensar em fome zero se não existe desmatamento zero? E não se desmata para plantar alimentos, mas combustível! Pasmem! Queremos mais combustível para movimentar as máquinas que provocam, ao final da cadeia, o desmatamento! A população do planeta cresce a taxas inaceitáveis! Se países como a China determinaram uma política de redução drástica no seu crescimento populacional, a Ìndia, o Paquistão, os países da África, o Brasil, continuam todos a crescer a taxas acima de 2% ao ano! Não haverá lugar para tanta gente, concentrada nos bolsões de pobreza das grandes cidades, amontoada em favelas e malocas, que só fazem crescer a violência e reduzem o nível de consciência médio da população terrestre. As autoridades responsáveis pelas políticas ambientais, salvo raras exceções, só conhecem a Natureza pelos livros que consumiram em suas teses de mestrado. Jamais pisaram as trilhas das florestas, jamais escalaram montanhas, nunca mergulharam nos mares ou banharam-se nos rios cristalinos e nas cachoeiras que correm pelas vertentes... Elaboram suas leis e projetos baseados apenas nas concepções teóricas e equivocadas das salas de aulas! Nunca se sentaram, à noite, em torno de uma fogueira, no alto de uma montanha, apreciando a magnificência desse Universo incompreensível e misterioso... Fiscais do IBAMA seguem as cartilhas escritas pelos burocratas e aplicam multas insignificantes (por maior que seja o seu valor), acreditando que o dinheiro recompõe a devastação causada pela exploração descontrolada dos espaços que deveriam ser preservados. Mas as árvores tombadas nunca serão replantadas, e o espaço conquistado à floresta se incorpora às áreas de plantio e às pastagens onde o gado irá produzir mais metano em suas toneladas de fezes, dando sua contribuição involuntária para o aquecimento global... Não há futuro, meus amigos, para a Natureza! Reconheçamos nossa impotência e incompetência ao gerir nossos recursos mais nobres! Admitamos que, no fundo, pouco nos importa se animais serão extintos, se florestas desaparecerão, se montanhas de granito serão derrubadas para pavimentar as rodovias, se imensas rochas de minérios serão destruídas por nossa ambição desmesurada em superar nossas próprias obras, como se elas fossem magníficas! "Enormes Construções"! Este é o tema do documentário de um canal de televisão que se diz preservacionista! Quanta hipocrisia! O homem se compraz de seus feitos gigantescos! Para que? E, como se não bastasse, multiplicamos esse consumismo inútil por bilhões de páginas de papel impresso, cujo conteúdo prolixo e redundante nada acrescenta em nosso conhecimento; transitamos egoisticamente solitários por vias congestionadas, desperdiçando combustível fóssil cada vez mais escasso, inundamos nossa atmosfera com a imudície e a poluição gerada pelas atividades frenéticas de uma população improdutiva, e pior ainda, não percebemos em nós mesmos o mal que causamos ao meio ambiente, em nossas próprias casas, com o desperdício sem controle! Quantos quilos de lixo você despeja por dia na Natureza? Você já parou para observar quanta coisa inútil existe em nossas vidas? Já verificou o seu próprio consumo de energia, sua produção de lixo doméstico, seu próprio impacto ambiental não contabilizado? Nenhum animal selvagem conseguiria, em toda a sua vida, produzir tamanha devastação como o ser humano em apenas um dia de sua existência! Para constatar essa realidade é muito simples: registre apenas um dia de sua produção inútil: o lixo, o alimento desperdiçado, os papéis descartados, o combustível consumido, o estoque sempre crescente de bugigangas que armazenamos, sem um fim específico, e que nos atam à vida como se imprescindíveis fossem! E tenha a coragem de admitir que o discurso preservacionista vai bem, mas nossas atitudes não refletem o seu significado! Lamentavelmente, a Natureza não tem mais futuro em nosso planeta! |
Benvindos ao meu espaço... aqui vocês encontrarão minhas memórias, pensamentos e recordações! Este é o meu livro de visitas... suas impressões, críticas e comentários são preciosos para mim... Conheçam também o meu novo BLOG: Meu Velho Chico, que relata minha próxima expediçãao através do rio São Francisco, a remo, em uma canoa canadense, por cerca de 3.000 km, desde a sua nascente, na Serra da Canastra, até a sua foz, na divsa de Alagoas e Sergipe.
LOG BOOK DE ATIVIDADES NA NATUREZA
Cinema de Arte
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